O próximo GPT da OpenAI ainda não tem nome nem data: a 2 de novembro de 2026, em Abu Dhabi, o Sam Altman disse apenas que vai ser lançado "em breve" e que é o mesmo modelo que pôs cerca de 10 mil agentes a trabalhar durante cerca de 4 dias (88 horas, segundo a OpenAI) até chegar a uma solução para o problema de Navier-Stokes, anunciada a 8 de setembro. A OpenAI diz que este modelo é "significativamente mais capaz" do que o GPT-6 Astra, o mais avançado que podes usar hoje. E há uma mudança já confirmada: a partir de dezembro, nos planos Plus, Pro e Business, o ChatGPT e o Codex passam a partilhar os mesmos limites de utilização.
Atualizado em 3 de novembro de 2026
Malta, se és como muita gente e usas o ChatGPT todos os dias, isto interessa-te mesmo 😉 O Sam Altman deixou cair em Abu Dhabi que o próximo GPT está para breve, e não é um modelo qualquer: é o que a OpenAI usou para atacar um dos problemas de matemática mais famosos do mundo. Neste artigo junto o que está confirmado, o que ainda não se sabe, o que é afinal o problema de Navier-Stokes (explicado sem fórmulas) e o que muda para ti, quer uses o ChatGPT grátis, o Plus ou o Pro. Tudo o que aqui está foi visto nas páginas oficiais da OpenAI e em meios internacionais a 3 de novembro. Não vais encontrar datas nem nomes inventados.
Imagem: OpenAI
O que disse o Sam Altman em Abu Dhabi?
Foi na abertura da ADIPEC, uma grande conferência de energia em Abu Dhabi, a 2 de novembro de 2026, no mesmo dia em que a OpenAI assinou acordos com a ADNOC, a petrolífera de Abu Dhabi, e com a G42. A meio do discurso, o Altman voltou ao tema da matemática e disse isto (tradução minha):
"Foram 10 mil agentes do modelo que vai ser lançado em breve, o próximo GPT, a trabalhar durante cerca de 4 dias sem parar, a colaborar uns com os outros na perfeição. Não havia hierarquia, não havia chefes."
Na conversa que se seguiu com a diretora do jornal The National, o Altman disse também que a IA passou, este ano, de "não ser tão inteligente como os nossos melhores cientistas" para ser "na maioria das coisas, mais inteligente do que eles". O The National nota que estas afirmações não puderam ser verificadas de forma independente.
Sam Altman em 2019. Foto: TechCrunch, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
O que se sabe e o que ainda não se sabe
Antes de tudo, separar o que está confirmado do que é só expectativa:
| Tema | O que se sabe a 3 de novembro | Fonte |
|---|---|---|
| Nome | Não há. O Altman chamou-lhe apenas "o próximo GPT" | Discurso na ADIPEC |
| Data de lançamento | Não há. Só "em breve" | Discurso na ADIPEC |
| De onde vem | É o modelo interno que a OpenAI usou no problema de Navier-Stokes | Discurso na ADIPEC |
| Capacidade | "Significativamente mais capaz" do que o GPT-6 Astra e com um desempenho "sem precedentes" nos testes internos da OpenAI, incluindo matemática | OpenAI |
| Treino | Em treino desde 28 de agosto de 2026 e, a 8 de setembro, o treino ainda continuava | OpenAI |
| Planos, preço e API | Não anunciados | Nenhuma informação oficial |
Informação vista a 3/11/2026 nas páginas oficiais da OpenAI. Os planos e modelos podem mudar a qualquer momento.
O que ainda não se sabe: em que planos do ChatGPT vai aparecer, se chega à versão grátis, quanto vai custar na API e se vais conseguir pôr milhares de agentes a trabalhar ao mesmo tempo como a OpenAI fez. Nas redes sociais já circulam nomes e datas, mas a OpenAI não confirmou nenhum, por isso não os ponho aqui.
O problema de Navier-Stokes explicado de forma simples
As equações de Navier-Stokes descrevem como se movem os fluidos, como a água e o ar. Vêm do século XIX, dos trabalhos do francês Claude-Louis Navier e do irlandês George Gabriel Stokes, e usam-se no desenho de aviões, na previsão do tempo e no estudo da circulação do sangue.
A grande dúvida era esta: se um fluido começar a mexer-se de forma suave, pode "partir-se" ao fim de algum tempo? Ou seja, a velocidade num ponto pode crescer sem limite, até ao infinito, num tempo finito? Os matemáticos chamam a isto uma singularidade. Em 2000, o Clay Mathematics Institute escolheu esta pergunta como um dos sete Problemas do Milénio, com um prémio de 1 milhão de dólares para cada um.
Um jato turbulento debaixo de água, em cores falsas. Imagem: C. Fukushima e J. Westerweel, TU Delft, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons
A resposta da OpenAI é sim, pode. Segundo a OpenAI, o sistema encontrou um remoinho que roda em espiral para dentro e se vai esticando "como esparguete". A zona central encolhe e acelera até a velocidade "rebentar", mas a energia total mantém-se finita, como as leis da física exigem. A OpenAI publicou a prova escrita e uma versão em Lean, um programa que verifica provas matemáticas passo a passo.
Como lá chegaram, segundo a própria OpenAI:
- 1 de setembro: lançaram grupos de agentes do modelo interno contra todos os Problemas do Milénio que ainda estão por resolver.
- Primeiro, perto de 100 agentes resolveram em cerca de 50 horas um problema mais "fácil", o das equações de Euler (o mesmo problema, mas sem viscosidade). A partir daí, concentraram tudo em Navier-Stokes.
- O grupo que chegou à solução tinha cerca de 10 mil agentes em simultâneo, que trocaram 2,7 milhões de mensagens e produziram cerca de 130 mil milhões de tokens.
- 5 de setembro: chegaram à solução, cerca de 88 horas depois do arranque. A verificação em Lean demorou mais 17 horas, feita com o GPT-6 Astra.
A OpenAI diz que não vai pedir o prémio de 1 milhão de dólares.
Atenção: ainda não é um caso arrumado
- O Clay Mathematics Institute, que atribui o prémio, escreveu a 11 de setembro que o problema foi "aparentemente" resolvido, mas lembrou que a avaliação é "deliberadamente sem pressa". Ainda não há decisão.
- Uma equipa do King's College London e da Universidade de Cambridge diz, num estudo ainda sem revisão por pares, que a versão em Lean não diz exatamente o mesmo do que a prova escrita. Os autores frisam que não estão a dizer que a prova está errada, só que a verificação em Lean, sozinha, não chega para a dar como certa.
- No mesmo anúncio, a OpenAI reconheceu que dois investigadores, Levent Alpöge (da Anthropic) e Tristan Buckmaster (da NYU), chegaram primeiro a um resultado sobre outra versão do problema de Euler.
Que modelos tens hoje no ChatGPT?
Para perceberes o salto, convém saber o que já existe. O modelo mais avançado da OpenAI à venda é o GPT-6 Astra, lançado a 3 de setembro de 2026. A 7 de outubro, a OpenAI pôs o GPT-6 no Chat para toda a gente, com o Intelligent UI, que responde com gráficos, botões e pequenas ferramentas interativas em vez de só texto.
GPT-6 Astra. Imagem: OpenAI
Segundo a central de ajuda da OpenAI e a página de preços:
| Plano | O que tens no Chat | GPT-6 Astra |
|---|---|---|
| Grátis e Go | GPT-6, com o modelo mais leve que a OpenAI dá a quem usa a versão grátis | Não incluído |
| Plus | GPT-6 (GPT-6 Sol) nos níveis de raciocínio Medium e High | Só no ChatGPT Work e no Codex |
| Pro | GPT-6 (GPT-6 Sol) em todos os níveis, incluindo Extra High, e o nível Pro | No Chat (como GPT-6 Pro), no Work e no Codex |
| Business | GPT-6 (GPT-6 Sol) em todos os níveis, incluindo Extra High, e o nível Pro | No Chat como GPT-6 Pro |
Informação vista a 3/11/2026 nas páginas oficiais da OpenAI. Os planos e modelos podem mudar a qualquer momento.
Os modelos anteriores, como o GPT-5.6 Sol, continuam a poder ser escolhidos no menu nos planos pagos.
Há ainda dois modelos mais recentes que não aparecem no Chat, só no ChatGPT Work e no Codex. O GPT-6.1 Sol, lançado a 29 de setembro de 2026, é uma versão melhorada do GPT-6 Sol que, segundo a OpenAI, fica quase ao nível do GPT-6 Astra em programação e trabalho profissional, e está nos planos Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu. O GPT-6.1 Terra, lançado a 26 de outubro, é um modelo mais rápido e mais barato, pensado para escrever e para usar o computador por ti (preencher formulários, ler documentos e desenhos técnicos), e está nos planos Plus, Pro, Enterprise e Edu.
E um pormenor que mostra que nem tudo o que está planeado sai: o GPT-6.1 Astra, que devia chegar em outubro, foi cancelado pela OpenAI porque teve maus resultados nos testes de alinhamento e mostrou "mais engano" do que o GPT-6 Astra, segundo o Wall Street Journal, citado pelo The Verge.
GPT-6 com Intelligent UI. Imagem: OpenAI
O que muda para quem usa o ChatGPT (grátis, Plus e Pro)?
A mudança que já está confirmada: limites partilhados em dezembro
Segundo a central de ajuda da OpenAI, a partir de dezembro, nos planos Plus, Pro e Business, a utilização passa a ser partilhada entre o ChatGPT e o Codex. Na prática:
- A utilização passa a ser medida em tokens (as unidades de texto que o modelo lê e escreve). Quanto mais avançado o modelo e mais complexa a tarefa, mais gastas.
- As conversas Instant não contam para esse limite.
- Vais poder ver o que te resta e quando volta a encher em Definições → Utilização (Settings → Usage).
- Se chegares ao limite, podes esperar que volte a encher, mudar de plano ou comprar créditos.
- A OpenAI diz que espera que a maioria das pessoas não tenha de esperar mais vezes do que hoje.
Se usas o Codex para programar e o ChatGPT para tudo o resto, presta atenção: em dezembro, as duas coisas passam a gastar do mesmo saldo.
E o próximo GPT, onde vai chegar?
Ainda não se sabe. O que se sabe é como foi da última vez: o GPT-6 Astra chegou primeiro a um grupo limitado de empresas e, nos dias seguintes, aos planos Plus, Pro, Business e Enterprise. O GPT-6 só chegou ao plano grátis a 8 de outubro, cerca de um mês depois, e com um modelo mais leve do que o dos planos pagos. Não há garantia de que a OpenAI faça igual desta vez.
- Grátis: continuas com conversas de texto ilimitadas (com regras contra abusos). Nada foi anunciado sobre o próximo GPT neste plano.
- Plus: é o plano onde os limites partilhados em dezembro mais se vão notar, sobretudo se usas o Codex ou o ChatGPT Work.
- Pro: já tem os modelos Pro mais avançados, mas não são ilimitados: o GPT-6 Pro tem limites de utilização, segundo a OpenAI.
Quando pode chegar o próximo GPT?
A resposta honesta: não há data. O Altman disse "em breve" e a OpenAI ainda não publicou nenhum anúncio, nem a "system card", o documento técnico que, no caso do GPT-6 Astra, saiu no dia do lançamento. A 8 de setembro, a OpenAI escreveu que o modelo ainda estava a ser treinado e que quer "orientar e controlar o ritmo" dos próximos avanços.
Para saberes primeiro, vale a pena seguir:
- o blog oficial da OpenAI, onde saem os anúncios;
- a página de modelos da central de ajuda, onde aparece em que planos está cada modelo;
- e, claro, as minhas redes, porque assim que sair eu conto-te o que muda 😉
Perguntas rápidas
Quando sai o próximo GPT da OpenAI?
Ainda não há data. A 2 de novembro de 2026, o Sam Altman disse apenas que vai ser lançado "em breve".
Como se vai chamar o próximo GPT?
A OpenAI ainda não anunciou o nome. O Sam Altman chamou-lhe apenas "o próximo GPT".
A OpenAI resolveu mesmo o problema de Navier-Stokes?
A OpenAI publicou, a 8 de setembro de 2026, uma prova de que um fluido pode "rebentar" num tempo finito. O Clay Mathematics Institute disse que o problema foi "aparentemente" resolvido, mas a avaliação ainda não terminou e há matemáticos a apontar diferenças entre a prova escrita e a versão verificada em Lean.
Quantos agentes trabalharam no problema de Navier-Stokes?
Cerca de 10 mil agentes em simultâneo, durante cerca de 88 horas, segundo a OpenAI. Trocaram 2,7 milhões de mensagens.
O próximo GPT vai estar no ChatGPT grátis?
Ainda não se sabe. A OpenAI não disse em que planos vai chegar nem quanto vai custar.
O que muda nos limites do ChatGPT em dezembro?
Nos planos Plus, Pro e Business, o ChatGPT e o Codex passam a partilhar a mesma utilização, medida em tokens. As conversas Instant não contam.
Qual é o modelo mais avançado da OpenAI que posso usar hoje?
O GPT-6 Astra, lançado a 3 de setembro de 2026. No Chat aparece como GPT-6 Pro nos planos Pro e Business. No Plus, está no ChatGPT Work e no Codex.
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