Malta, o Instagram acabou de fazer uma coisa que o próprio chefe do Instagram jurava que não ia fazer: vídeos longos. E não estou a falar de 5 ou 10 minutos. Estou a falar de vídeos horizontais de até 90 minutos, dentro da app, ao lado dos Reels. 😮
O novo formato chama-se Features e, para já, está só em teste. Mas a mensagem é clara: o Instagram quer ficar com uma fatia do que hoje é do YouTube. Como criador que passa a vida a fazer vídeos longos para o YouTube, li tudo com muita atenção. Neste artigo conto-vos o que já é oficial, o que ainda não se sabe e a minha opinião sincera. Vamos a isso! 🚀
Em resumo
O quê: um novo formato de vídeo no Instagram chamado Features, com vídeos horizontais de até 90 minutos.
Para quem: pensado para podcasts, vlogs, entrevistas, humoristas e outros criadores de vídeos longos.
Como se ligam aos Reels: os criadores podem ligar Reels ao vídeo completo. Vês um excerto, carregas e continuas a ver o episódio inteiro.
Onde está em teste: com alguns criadores no Brasil e, desde 26 de outubro, num teste pequeno nos EUA.
Dinheiro: ainda não há partilha de receitas de publicidade com os criadores, como existe no YouTube.
Portugal: não há data. Por agora, é só um teste.
O que é o Features do Instagram?
O anúncio foi feito a 26 de outubro num vídeo publicado no Instagram pelo próprio Adam Mosseri, o chefe do Instagram, em conjunto com a Tessa Lyons, vice-presidente de produto. Na publicação, o Mosseri explica que se sentou com a Tessa "para falar de porque estamos a investir em vídeos mais longos, a que vamos chamar Features, e de como encaixam com os Reels, as Séries, os Diretos e a TV". E acrescenta que ainda é cedo e que vão testando e ouvindo o feedback.
Na prática, os Features são vídeos na horizontal, como no YouTube, com até 90 minutos. Segundo o que o Instagram explicou à imprensa, vão aparecer no feed principal e no Explorar, ou seja, a app recomenda-os também a quem ainda não segue o criador.
O mais curioso é que o Mosseri admite no vídeo que foi contra isto durante muito tempo. A preocupação dele era que o Instagram deixasse de ser sobre ligar amigos e passasse a ser só entretenimento. Quem o convenceu a dar mais uma oportunidade aos vídeos longos foi precisamente a Tessa Lyons. Agora, a ideia é que os vídeos curtos e os longos sejam, nas palavras do Mosseri, "simbióticos".
Reels que levam ao vídeo completo
Esta é, para mim, a parte mais inteligente. Hoje muitos criadores usam os Reels para pôr excertos de vídeos que estão noutro lado, quase sempre no YouTube. Com os Features, o criador pode publicar o vídeo inteiro no Instagram e ligar-lhe vários Reels. Segundo a Fast Company, que cita o vídeo do anúncio, podem ser até oito Reels ligados ao mesmo vídeo.
Vês um excerto de 30 segundos de um podcast de que gostas, carregas e continuas a ver o episódio completo, sem saíres da app. Ou seja, o Instagram deixa de ser só a montra que manda as pessoas para o YouTube e passa a querer ficar com elas.
O Instagram está ainda a testar outras novidades à volta disto:
Séries: juntar Reels em episódios, no perfil do criador, para os vermos por ordem.
Diretos: novas formas de descobrir vídeos em direto.
TV: guardar o vídeo longo para o veres depois na app do Instagram para a televisão.
Pensado para a televisão
Aqui está outro pormenor importante. O Instagram acha que um vídeo longo e horizontal se vê melhor num ecrã grande. A Tessa Lyons disse à WIRED que a TV se torna "um ótimo destino" para os vídeos longos e o telemóvel "um ótimo sítio para os descobrir".
A app Instagram para TV foi lançada no fim de 2025 nos EUA, primeiro no Fire TV da Amazon, e depois chegou ao Google TV e às TVs Samsung. Segundo a imprensa americana, está agora a chegar também à Apple TV nos EUA. Em junho, o próprio Instagram já tinha dito no blogue oficial que estava a testar uma zona dedicada a vídeos horizontais na TV. Agora percebe-se para onde ia tudo isto.
E o dinheiro? A grande diferença para o YouTube
É aqui que, para nós criadores, está a questão mais importante. No YouTube, quem faz parte do Programa de Parcerias recebe 55% das receitas de publicidade dos seus vídeos longos. Segundo o TechCrunch, o YouTube disse que pagou mais de 100 mil milhões de dólares a criadores, artistas e empresas de media em quatro anos.
No Instagram não é assim. O próprio Mosseri explicou no programa de Colin e Samir que, no Instagram, os criadores ganham sobretudo com marcas, alguns com os fãs, e que o programa de pagamento por desempenho ainda é pequeno, porque o Instagram gasta mais do que recebe com ele.
Para os Features, a Meta disse ao TechCrunch que "é cedo demais para partilhar um modelo de monetização a longo prazo", mas que está a explorar formas de os criadores ganharem com marcas, com os fãs e com o próprio Instagram. Para já, o que se sabe é isto:
Não há partilha de receitas de publicidade anunciada.
Os patrocínios que os criadores já têm podem ir para os vídeos longos, segundo a Tessa Lyons ao The Hollywood Reporter.
Não há exclusividade: o mesmo vídeo pode estar no YouTube e no Instagram.
O Instagram diz que quer ajudar os criadores que ainda não têm marcas a encontrá-las.
E não, não é a primeira tentativa. Em 2018 o Instagram lançou o IGTV, uma app à parte para vídeos longos, que nunca pegou a sério e fechou em 2022.
O que muda para os criadores e para o YouTube
Vou ser muito sincero convosco. O YouTube é, e vai continuar a ser durante bastante tempo, a casa dos vídeos longos. Não é só pelo dinheiro. É também pela pesquisa, porque as pessoas vão ao YouTube à procura de uma análise ou de um tutorial, e esses vídeos continuam a ser vistos meses e anos depois.
Mas o Instagram tem uma arma que o YouTube não tem da mesma forma: a ligação direta com a comunidade. Nas mensagens, nos stories, nos comentários. Se o Instagram conseguir que um Reel leve as pessoas ao vídeo completo sem saírem da app, para muitos criadores isto pode ser uma forma nova de chegar a quem já os segue lá.
Para quem faz podcasts e entrevistas, acho que isto vai ser muito interessante, porque é o tipo de conteúdo que já vive de excertos nos Reels. Para análises e tecnologia, como as minhas, tenho mais dúvidas, pelo menos enquanto não houver forma de ganhar dinheiro com as visualizações e enquanto não chegar a Portugal.
Para o YouTube, é mais um aviso. Durante anos foi o YouTube a ir atrás dos vídeos curtos, com os Shorts. Agora é o Instagram que vem atrás dos vídeos longos. E quando a concorrência aperta, quem costuma ganhar somos nós, os criadores, e vocês, que veem. 😉
Quando isto chegar a Portugal, quero muito experimentar e depois conto-vos tudo.
Perguntas rápidas
O que são os Features do Instagram?
São vídeos horizontais de até 90 minutos, publicados no Instagram, pensados para podcasts, vlogs, entrevistas e outros vídeos longos.
Já posso publicar vídeos de 90 minutos no Instagram em Portugal?
Ainda não. Para já, é um teste com alguns criadores nos EUA e no Brasil. O Instagram não deu data para outros países.
Os criadores vão ganhar dinheiro com os vídeos longos do Instagram?
Por agora, não há partilha de receitas de publicidade como no YouTube. A Meta diz que é cedo demais para anunciar um modelo e que está a estudar formas de os criadores ganharem com marcas, fãs e com o próprio Instagram.
Os Reels vão acabar?
Não. A Tessa Lyons disse no anúncio que os Reels vão continuar a ser uma parte central do Instagram. A ideia é que os Reels levem aos vídeos longos.
Isto é o regresso do IGTV?
De certa forma, mas com outra abordagem. O IGTV era uma app à parte e fechou em 2022. Os Features ficam dentro do próprio Instagram, ligados aos Reels, e pensados também para a TV.
Têm dúvidas? Deixem-nas nos comentários do meu último vídeo no YouTube, que eu vou lá responder!
📸 Instagram: @nunoseemee
▶️ YouTube: Nuno Agonia
🎵 TikTok: @nunoagonia
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Fontes: anúncio de Adam Mosseri e Tessa Lyons no Instagram (vídeo só visível nos EUA), vídeo de Adam Mosseri, blogue oficial do Instagram (Instagram para TV), TechCrunch, The Verge, The Hollywood Reporter, WIRED, Fast Company, Engadget e 9to5Google. Imagens: Instagram/Meta e YouTube.
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